Há milhares de anos as pastagens são o alimento natural dos eqüinos, tanto que seu sistema digestivo é adaptado anatômica e fisiologicamente para sua transformação em fonte de energia, nutrientes e para suprir suas necessidades de alimentação.
Com o aumento da estabulagem e dos esportes eqüestres, os animais começaram a receber uma dieta muitas vezes incompatível com sua capacidade de digestão e conversão, resultando em enfermidades como a cólica, além das diarréias, laminite, azotúria, anemia, etc.
Os cavalos, assim como outros animais, digerem e assimilam o alimento sob a forma de carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. A necessidade específica desses nutrientes varia de acordo com quantidade de trabalho exigida do cavalo.
Quantidade de alimento adequada
Quanto à necessidade de energia (NDT), os eqüinos se comportam de modo particular. Na criação de cavalos, o foco principal é aptidão física, portanto, as exigências energéticas devem atender sua manutenção, crescimento, reprodução e as atividades funcionais, em vez de gerar um elevado ganho de peso, como ocorre com as outras espécies.
Necessidades Energéticas

* Animal de esporte com 500 kg de peso vivo. (Lewis, 1985)
Arraçoamento
Um correto arraçoamento é feito a partir da escolha do melhor local e horário para fornecer o alimento nas quantidades necessárias.
A ração fornecida aos eqüinos deve cobrir apenas as cotas adicionais de energia e nutrientes que por algum motivo o volumoso não esteja fornecendo, ou quando a atividade imposta ao cavalo como crescimento, gestação, lactação ou intenso trabalho gasta todos os nutrientes, sendo os do volumoso insuficientes. Portanto, as recomendações feitas para as diversas categorias terão sempre quantidades variáveis.
Para eqüinos adultos em descanso, alimentos volumosos (de boa qualidade) são suficientes para suprir todas as suas necessidades.
Entretanto, animais adultos em trabalho, potros em crescimento, éguas em gestação ou lactação e garanhões, não conseguem atender a todas as suas necessidades nutricionais a partir apenas de alimentos volumosos. Nessas condições, 50% das exigências diárias de energia devem ser supridas pelos alimentos concentrados.
Portanto, o que define quantos quilogramas de ração o cavalo deve receber por dia é a qualidade e a disponibilidade do pasto, feno ou capineira e o tipo de atividade que realiza (esporte, lazer ou reprodução).
Potros até 18 meses de idade
Na fase de crescimento, os potros possuem exigências nutricionais muito altas e a sua capacidade digestiva é menor do que a dos adultos para alimentos com alto teor de fibra e menor valor nutritivo. No período de amamentação, até o sexto ou sétimo mês de vida, eles devem receber uma ração especial (a partir de 30 a 40 dias de idade), em quantidades crescentes, ajustadas mensalmente e fornecidas duas vezes ao dia, com intervalos de 6 horas entre as refeições. Devido à desmama, os potros deverão estar consumindo de 3 a 4 kg/por animal/dia, variação que depende da altura e peso final do animal.
Da desmama até 1 ano de idade, os potros devem ainda ser alimentados duas vezes ao dia, com quantidades variáveis de 1,2 a 1,4 % do seu peso vivo.
Depois dos 12 e até os 18 meses, os potros devem receber a mesma ração, porém em quantidades proporcionais menores, apenas 1% do seu peso vivo.
Animais acima de 24 meses e adultos em descanso
Animais pertencentes a esta categoria devem receber apenas volumosos na forma de pasto, feno ou capineira de boa qualidade. Deve-se estar atento em relação ao fornecimento em comedouros apropriados com sal mineral iodado, isto é, sal grosso iodado misturado apenas com o sal mineral (1:1). Se o volumoso for pouco ou de qualidade duvidosa, deve-se fornecer rações na quantidade de 0,5 % do peso do animal, em duas refeições.
Adultos em fase de reprodução
Esses animais devem receber ração própria, em quantidades variáveis, de acordo com sua função. Porém, a quantidade máxima não deve ultrapassar 1,5% do peso vivo.
A quantidade de ração diária deve ser dividida em duas ou até três vezes ao dia para melhor aproveitamento dos nutrientes da ração e diminuir o risco de cólica.